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Cientistas brasileiros vão testar remédio que reduz 94% da carga viral da covid-19

Chegada dos 5000 testes para coronavírus. Guarulhos – SP, 30/03/2020. Fotos: Divulgação/MS

Nos próximos dias, cientistas brasileiros vão iniciar os testes clínicos com um medicamento que apresentou 94% de eficácia em ensaios in vitro na redução da carga viral em células infectadas pelo novo coronavírus. De acordo com o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes, os testes serão feitos em 500 pacientes internados com covid-19, em sete hospitais do país: cinco no Rio de Janeiro, um em São Paulo e um em Brasília.

O nome do medicamento só será divulgado após o fim do protocolo de pesquisa clínica, até que seja demonstrada a sua eficácia e segurança em pacientes, “para evitar uma correria em torno do medicamento”. Mas, de acordo com Pontes, é um remédio de baixo custo, bem tolerado e disponível inclusive em formulações pediátricas. “Por que isso é importante? Ele tem uma vantagem muito grande, tem pouco efeito colateral e pode ser empregado numa grande faixa da população”, explicou.

O ministro destacou a importância e o trabalho da ciência brasileira na busca por soluções contra a pandemia de covid-19. “Nós estamos falando de ciência feita no Brasil, uma ciência respeitada em todo o mundo. Os nossos cientistas são muito responsáveis, não só pelo conhecimento, mas pela atitude, esse pessoal tem trabalhado dia e noite. Muitos são bolsistas e estamos conseguindo resultados por meio do trabalho desses pesquisadores”, disse o ministro. “Espero que vocês como brasileiros também tenham orgulho desses cientistas”, ressaltou.

Replicação viral

Foram realizados testes com 2 mil medicamentos que já são comercializados em farmácias para verificar se existe algum capaz de se ligar ao vírus e de bloquear a replicação viral. A estratégia, chamada de reposicionamento de fármacos, foi adotada por cientistas do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), em Campinas, que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Ao final, os pesquisadores identificaram seis moléculas promissoras que seguiram para teste in vitro com células infectadas com o novo coronavírus. Desses seis remédios pesquisados, os cientistas do CNPEM descobriram que dois reduziram significativamente a replicação do vírus. O remédio mais promissor apresentou 94% de eficácia em ensaios com as células infectadas.

O protocolo de ensaios clínicos foi aprovado nesta terça-feira (14) pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. O medicamento será ministrado por cinco dias nos pacientes e mais nove serão necessários para observação. Serão incluídos no estudo pessoas que chegarem aos hospitais com pneumonia e sintomas de covid-19: febre, tosse seca e as características da tomografia com vidro fosco.

O grupo de testagem será amplo, com qualquer pessoa maior de 18 anos, mas não para os casos muito graves. O paciente deverá assinar um termo de consentimento para participar do protocolo, que consiste na administração aleatória do medicamento ou de placebo. A expectativa é que o estudo seja concluído em quatro semanas. “Isso é feito de forma extremamente científica, usando todo o formalismo científico, para que a gente não tenha dúvidas”, destacou o ministro.

O desenvolvimento do estudo no LNBio ocorre no âmbito da Rede Vírus do MCTIC, responsável pela articulação dos laboratórios de pesquisa e especialistas na continuidade dos estudos com pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

Testes e vacinas

O ministro também apresentou hoje o resultado do trabalho do CTVacinas, da Universidade Federal de Minas Gerais, que também por meio da Rede Vírus, desenvolveu um reagente nacional que tem a mesma performance de reagentes importados para testes diagnósticos de covid-19. “Isso dá autonomia para o país e a possibilidade de aumentar a produção para os tipos de teste que estão sendo feitos no Brasil”, explicou Pontes.

Outra pesquisa apresentada pelo ministro é o desenvolvimento de um teste para detecção do novo coronavírus que não precisa de reagente químico. “É um equipamento que faz reação com laser a partir da saliva da pessoa que está sendo testado”, explicou. O processamento do diagnóstico é feito por meio de inteligência artificial e o resultado fica pronto em menos de 1 minuto.

O sensor está sendo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Teranóstica e Nanobiotecnologia (INCT TeraNano), da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais. De acordo com Pontes, com a informatização das unidades de saúde, em 20 dias, será possível colocar um número considerável dessas máquinas no país, cerca de mil máquinas capazes de fazer até 500 testes por dia.

“Imaginando que tudo isso funcione [o remédio e os testes], em meados de maio teremos ferramentas muito efetivas para combater essa pandemia no Brasil e resolver todos esses problemas”, disse o ministro.

Esclareça suas dúvidas sobre o coronavírus

O anúncio de um vírus misterioso na China vem preocupando a população mundial. Em meados de janeiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou um plano para preparar os hospitais do mundo todo para tentar conter o avanço do novo vírus. Autoridades chinesas anunciaram que as mortes foram provocadas por nova variante do coronavírus. Há o temor de que a doença se torne uma epidemia mundial.

Agência Brasil esclarece as principais dúvidas: O que é coronavírus? Quais são os sintomas do coronavírus? Coronavírus tem cura?

Veja mais sobre o coronavírus na TV Brasil:

Secretário executivo da Casa Civil é destituído por usar avião da FAB

O secretário executivo da Casa Civil, Vicenti Santini, foi destituído do cargo pelo presidente Jair Bolsonaro. Santini usou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para ir de Davos, na Suíça, onde participou do Fórum Econômico Mundial, para Nova Delhi, na Índia, onde se reuniu com a comitiva presidencial, durante visita de Estado de Bolsonaro ao país.

Santini ficou na função de ministro interino durante as férias do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e optou por usar o avião da FAB, enquanto outros ministros viajaram com companhias aéreas comerciais.

Presidente Jair Bolsonaro fala à imprensa  ao chegar no Palácio da Alvorada

Presidente Jair Bolsonaro fala à imprensa ao chegar ao Palácio da Alvorada – Antonio Cruz/Agência Brasil

“Inadmissível o que aconteceu. Já está destituído da função de executivo do Onyx, decidido por mim”, disse Bolsonaro ao chegar hoje (28) ao Palácio da Alvorada, depois de desembarcar em Brasília da viagem à Índia. O presidente disse ainda que vai conversar com o ministro Onyx para ouvir os argumentos e ver quais outras medidas podem ser tomadas. Por enquanto, Santini continua no governo.

“O que ele fez não é ilegal, mas é imoral. Ministro antigo foi de comercial, de classe econômica. Eu já viajei, no passado, pela Ásia toda de comercial, classe econômica. A explicação é que ele teve que participar da reunião de ministros por isso a premissa [de usar o avião da FAB como ministro]. Essa desculpa não vale. Ele deixa de ser executivo da Casa Civil”, disse o presidente.

Bolsonaro foi o convidado especial do governo indiano para participar das celebrações do Dia da República, no último domingo (26). A viagem incluiu a assinatura de 15 acordos com o governo indiano em diversas áreas, como segurança, bioenergia e tecnologia.

A comitiva também participou de café da manhã com empresários indianos sobre oportunidades de negócios no Brasil e de um seminário entre empresários dos dois países. Santini representou a Casa Civil para apresentar a carteira de concessões e privatizações do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Agência Brasil explica: como se cadastrar no alerta da Defesa Civil

Sistema de aviso de riscos é grátis e pode salvar vidas

Enchentes, deslizamentos, desabamento de grandes estruturas, grandes incêndios, tremores de terra e furacões podem, em questão de instantes, afetar grandes áreas. Esses desastres geralmente causam muita destruição, mortes e possibilidade de doenças, já que influenciam na qualidade da água, na estrutura de saneamento básico e no acesso a itens essenciais de cuidado pessoal, remédios e alimentos. A Defesa Civil Nacional, subordinada ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), criou um sistema de alerta que funciona via SMS – as mensagens de texto que recebemos por celular que não necessitam de conexão à internet – que é acionado sempre que há possibilidade de desastre.

A iniciativa foi inspirada em um sistema similar criado pelo Japão em 2007. Diferente do Brasil, o Japão é afetado constamentente por desastres naturais, como terremotos, furacões e tsunamis. No Brasil, o projeto-piloto havia sido implementado em 20 municípios do estado de Santa Catarina, onde cerca de 500 mil pessoas testaram a novidade.

De acordo com a secretaria Nacional de Defesa Civil, mais de 6 milhões de brasileiros já fizeram o cadastro. Mas você sabe como participar dessa rede de proteção oferecida pela Defesa Civil? A Agência Brasil explica.

O cadastro

Fazer parte da rede de avisos da Defesa Nacional é bem simples. Veja:

Info_sms

O serviço é totalmente gratuito, e cada número de celular pode cadastrar diversos CEPs para receber alertas no mesmo aparelho. Sair do sistema é bem simples: basta mandar uma mensagem com o CEP para o mesmo número do cadastro (40199).

Como agir em situações de desastres

Caso a Defesa Civil considere que há risco iminente para a região, você receberá uma mensagem de alerta sobre o que pode ocorrer. A Defesa Civil adota um protocolo diferente para cada situação de risco. “O alerta permite ações antecipadas de autoproteção, de proteção da comunidade e para que o poder público se posicione oportunamente para o socorro”, afirma Alexandre Lucas, secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil.

As orientações básicas de como lidar com a situação de risco também são informadas via SMS. Em alguns estados, como Santa Catarina, o serviço da Defesa Civil também informa a situação das marés – no caso de cidades litorâneas – e a previsão da intensidade das chuvas. 

O secretário também destacou que é importante espalhar a mensagem adiante, para que a informação chegue ao maior número de pessoas no menor tempo possível. “As pessoas recebem por SMS, mas podem replicar nas redes sociais. A gente precisa que toda a população saiba, no tempo mais oportuno, o que está acontecendo”.

Defesa Civil confirma 30 mortes na Grande BH por causa das chuvas

O número de mortes em razão das chuvas em Minas Gerais subiu para 30. O número foi atualizado pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil no início da noite deste sábado (25). Além dos óbitos, há 17 pessoas desaparecidas, 620 desalojados e 911 desabrigados 911, além de sete feridos.

De acordo com a Defesa Civil, há risco grande de deslizamento em nove cidades da região metropolitana de Belo Horizonte: Sabará, Rio Acima, Brumadinho, Contagem, Nova Lima, Betim, Ribeirão das Neves e Ibirité, além da própria capital. Em Belo Horizonte, somente ontem (24) foram registradas 72 ocorrências desse tipo.

Entre a quinta e a sexta-feira, o volume foi o maior registrado desde que teve início o monitoramento, no ano de 1910.

A previsão é que a intensidade das chuvas reduza-se a partir deste domingo (26).

A Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar continuam trabalhando no atendimento de ocorrências tanto de risco geológico (como deslizamentos e soterramentos) quanto de risco hidrológico (como alagamentos e inundações).

Situação de Emergência 

O governo federal decretou, de forma sumária, situação de emergência em Belo Horizonte e Contagem, Minas Gerais, e também em quatro cidades capixabas..

Equipe do Ministério do Desenvolvimento Regional atua em apoio aos trabalhos de resposta às fortes chuvas que atingiram a região metropolitana de Belo Horizonte e o Espírito Santo. Profissionais da Defesa Civil Nacional estão em ambas as localidades para auxiliar na mitigação dos danos humanos e materiais causados pelos desastres.

A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), do Ministério do Desenvolvimento Regional, elevou o status de operação do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) para alerta máximo.

Neste sábado (25), o governo realizou reunião com representantes de diversos órgãos para traçar um plano de ação nos municípios mais afetados pelas chuvas.